5 de jul de 2010

Política: de certo eu sou uma anta!

Conheço gente rica, que tem cinco carros importados na garagem; da mesma forma, conheço gente paupérrima, que para economizar só tem uma saída: arriscar o estômago. Neste universo, eu me fiz gente e já atuei em diversas frentes políticas. Já exerci liderança, já fui influente em alguns segmentos, mas, confesso, prefiro o anonimato. Pois, quem toma frente na política não deve ter muito amor próprio, uma vez que será sempre criticado, quer seja pelo que fez, onde atacarão os adversários, quer seja pelo que não fez, onde, com razão, atacarão os necessitados. Talvez eu seja muito inteligente para me fazer de besta. Da mesma forma, posso ser muito besta para achar que sou inteligente e não suportar tantas trocas, tantas mudanças de planos. Ora, ora, se havíamos programado uma viagem longa, por que raios não me avisaram que mudaram os planos, que jogaram as malas fora? Eu estou atento, mas, de certo, sou uma anta, haja vista que tudo mudou e eu sigo firme e combativo nos meus propósitos. Aliás, mais que anta, devo também ser cego, pois não vejo nada. Face a tudo isto é que digo: ninguém sabe nada de política. Quem está dentro não fala a verdade, quem está fora não sabe o que acontece realmente. Daí que, na política, muito mais importante do que o que estão dizendo, é quem está dizendo. Não sou tolo de dizer se isto ou aquilo é certo ou errado. Se você prestar atenção, verá que este texto se aplica a vários ambientes e em várias épocas, ou seja, em se tratando de política, é algo universal, até trivial. Então, estamos diante de qualquer coisa que nunca muda, apesar de sempre propor mudança. Estamos diante de alguma coisa que sempre piora, apesar de sempre propor melhoras. Em face disto, tenho medo apenas dos gênios e dos idiotas, pois os gênios sabem tudo, enquanto os idiotas são ratos, vacas de presépio. Dos medianos, chego a ter raiva, porque vivem envoltos em suas mesmices, em suas desgraças, e nada sabem da arquitetura do mundo, nada entendem de rede. A vida é isto e quem duvidar que me diga algo diferente. Se não fossem os ensinamentos de meu saudoso pai, juro, eu largaria tudo e me iria embora para Passárgada, mas, sou curioso, não arredo pé e já apostei um quinhão.

Nelclier Martins Marques

Psicólogo

Acadêmico de Direito PUC-GO

Escritor

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